O solo abriga milhares de microrganismos, incluindo bactérias do gênero Streptomyces, famosas por produzirem substâncias que protegem sua sobrevivência, como antibióticos, antifúngicos, antiparasitários, antivirais, antitumorais e imunossupressores.
Essas bactérias têm genomas grandes, ou seja, um conjunto extenso de instruções genéticas, que contêm grupos de genes especializados responsáveis por fabricar diferentes compostos bioativos. Dependendo do ambiente, como a disponibilidade de nutrientes ou a presença de outros microrganismos, cada grupo de genes pode ser ativado para produzir substâncias específicas.
Um exemplo marcante é a Streptomyces avermitilis, produtora da ivermectina. Embora famosa por esse antiparasitário, essa bactéria possui potencial para gerar vários outros compostos bioativos, transformando-se em uma verdadeira “fábrica natural” de moléculas que podem ser usadas em diferentes medicamentos.
Em 1970, o cientista japonês Satoshi Ōmura isolou a bactéria Streptomyces avermitilis a partir de uma amostra de solo e enviou a descoberta a William Campbell, da Merck, que a transformou em ivermectina, um medicamento seguro e eficaz, utilizado mundialmente.
Em laboratório, a Streptomyces avermitilis passa por um processo de fermentação que gera substâncias chamadas avermectinas, as quais, após pequena modificação química, dão origem à ivermectina. Ao longo das décadas, a ivermectina consolidou-se como um fármaco estável e amplamente estudado, empregado na medicina humana e veterinária, com papel essencial no combate a doenças parasitárias graves, como a oncocercose e a filariose linfática.
A ivermectina não pode ser estigmatizada apenas como um antiparasitário. Dizer que a ivermectina serve apenas para vermes porque foi testada primeiro contra vermes é como afirmar que um telefone celular só serve para fazer ligações, simplesmente porque foi criado originalmente para isso. A ciência evolui, e seu uso se amplia conforme novas evidências aparecem. Essa afirmação é sustentada por um volume amplo, consistente e reproduzido de evidências científicas, que documentam atividades antibacterianas, antifúngicas, antitumorais e antivirais, além de efeitos anti-inflamatórios e moduladores do sistema imunológico.
Desde 2012, estudos independentes demonstram de forma reiterada sua ação contra o vírus de RNA, grupo ao qual pertence o SARS-CoV-2. Paralelamente, modelos experimentais em animais evidenciaram redução significativa da inflamação sistêmica e melhora da sobrevida em quadros graves. Esses achados confirmam, de maneira inequívoca, que a ivermectina atua por múltiplos mecanismos biológicos bem caracterizados, tornando cientificamente insustentável qualquer tentativa de reduzi-la a um “simples vermífugo”.
Motivos da rejeição da ivermectina na pandemia
A oposição à ivermectina durante a pandemia não se restringiu à ciência; foi profundamente influenciada por interesses políticos e econômicos. A OMS, financiada pela Fundação Gates, priorizou vacinas, enquanto o NIH rejeitou o medicamento em um período em que recebia royalties de vacinas e tinha membros ligados à Merck, concorrente da ivermectina. Naquele momento, a Merck se preparava para lançar o antiviral Molnupiravir contra a COVID-19, evidenciando um claro conflito de interesses
Além disso, uma lei federal pouco conhecida nos Estados Unidos impede a concessão de autorizações de uso emergencial quando já existem terapias eficazes, criando fortes incentivos para minimizar ou ignorar alternativas acessíveis como a ivermectina e a hidroxicloroquina. Medicamentos seguros, baratos e amplamente utilizados passaram a ser rotulados como perigosos, debates médicos foram censurados e a narrativa oficial imposta. A guerra não era contra a ivermectina em si, mas contra medicamentos fora de patente, que não geram lucro. Pensar fora do discurso oficial tornou-se arriscado, e tratar pacientes com alternativas acessíveis virou quase um ato proibido.
Estudos que moldaram a narrativa contra a ivermectina
Houve sete grandes ensaios clínicos com ivermectina para Covid-19 publicados em revistas médicas de alto impacto: Lopez Medina, I-Tech, TOGETHER, COVID-OUT, ACTIV-6 (400 e 600) e PRINCIPLE. Todos, de alguma forma, concluíram que a ivermectina não era útil na prevenção ou tratamento da doença, gerando celebração imediata e manchetes ao redor do mundo afirmando que “a ivermectina não funcionava”. No entanto, uma análise detalhada revela que esses estudos, todos dirigidos pela indústria farmacêutica, apresentaram padrões perturbadoramente semelhantes em falhas e tendências. Em muitos casos, as pesquisas não investigavam verdadeiramente a eficácia do medicamento, mas apenas afirmavam resultados previamente desejados.
A seguir, as principais estratégias metodológicas adotadas nesses ensaios, práticas que desviaram dos padrões científicos aceitos e comprometeram a validade das conclusões: não excluir pacientes que tomam ivermectina ou dar ao placebo; comprometendo completamente a avaliação de eficácia; selecionar apenas pacientes jovens e saudáveis, tornando impossível detectar hospitalizações relevantes;administrar doses mínimas, insuficientes para qualquer efeito significativo; dar ivermectina em jejum, reduzindo deliberadamente absorção e eficácia; definir limites de dose por peso, resultando em subdosagem para pacientes mais pesados e de alto risco; publicar resultados com atraso extraordinário, em contraste com outros ensaios da pandemia;incluir pacientes tardiamente, quando a evolução da doença já estava definida, tornando a análise inútil;alterar regras do estudo durante o ensaio, comprometendo protocolos, randomização e doses, prática inaceitável em ciência.
TOGETHER Trial (2022): a fabricação de um fracasso
O estudo TOGETHER foi aclamado como uma maravilha metodológica e uma prova de que a ivermectina não tem qualquer eficácia contra a COVID-19. Infelizmente, o estudo TOGETHER Trial não foi um erro científico. Foi uma construção deliberada. As ações fraudulentas tomadas nesse ensaio clínico devem ser expostas. Quem tinha a ganhar desacreditando a ivermectina ? Como sempre, siga o dinheiro. Bill Gates, um dos principais patrocinadores do estudo TOGETHER, lucrou US$500 milhões com ações da Moderna. As gigantes farmacêuticas lucraram imensamente com a promoção de tratamentos caros como o Paxlovid, que custava centenas de dólares por paciente, enquanto a ivermectina, a apenas US$20 . Não se tratava apenas de saúde; tratava-se de proteger os lucros, independentemente do custo em vidas humanas.
O estudo foi concebido para produzir um resultado específico e politicamente útil. Iniciado no Brasil, rapidamente passou ao controle de fundações e corporações bilionárias, entre elas Gates Foundation, Unitaid, Cytel, Pfizer e Gilead, todas diretamente interessadas em eliminar um medicamento genérico fora de patente.
A metodologia inviabilizou qualquer conclusão honesta desde a origem. A ivermectina foi administrada em dose inadequada, por tempo insuficiente e em fase tardia da doença, quando o mecanismo de ação já não teria relevância clínica. O estudo não avaliou a eficácia. Ele a sabotou. O cegamento foi comprometido, a randomização foi defeituosa e os grupos apresentaram desequilíbrios relevantes. Quando sinais de benefício começaram a surgir, o protocolo estatístico foi alterado. O modelo original foi abandonado e substituído por uma análise bayesiana capaz de diluir diferenças clínicas reais. A estatística passou a ser ferramenta de neutralização, não de esclarecimento. Os dados brutos foram mantidos sob sigilo por meses, bloqueando auditoria independente e violando princípios básicos de transparência científica. Mesmo assim, os próprios números apontavam redução de mortalidade, internações e ventilação mecânica. Esses resultados foram deliberadamente apagados da narrativa final.
A análise estatística foi conduzida pela Cytel, empresa financiada pela Gates Foundation e contratada por Pfizer e Gilead, estabelecendo um conflito de interesses estrutural e incontornável. Ainda assim, o estudo foi promovido pela OMS, FDA e grande mídia como prova definitiva de ineficácia, antes de qualquer debate crítico sério. Posteriormente, o autor principal admitiu publicamente a existência de sinal claro de eficácia e reconheceu que, com maior amostra, o resultado provavelmente seria significativo. A confissão tardia apenas confirmou o que a metodologia já denunciava. Conclusão: o TOGETHER Trial não buscou a verdade. Buscou um desfecho. Foi desenhado para falhar, conduzido para confundir e usado para encerrar artificialmente uma discussão científica legítima. Não representou ciência em crise. Representou a ciência capturada
Estudo PRINCIPLE
O estudo PRINCIPLE, da Universidade de Oxford, que sofreu longos atrasos, estabeleceu um novo recorde de fraude em pesquisas sobre ivermectina. Relatou que a ivermectina era ineficaz e que não deveria ser estudada novamente. Alguns erros graves:tratamento muito tardio, o período de inclusão foi alterado de 7 para 14 dias, administração em jejum (a ivermectina deve ser administrada após alimentos), doses inadequadas.
Além disso, apenas três doses diferentes, dose mais baixa em μg/kg para pesos maiores, redução de 36% na duração da COVID-19 (oculta no apêndice), alegações falsas sobre resultados e recuperação a longo prazo, o modelo já partia da ideia de que não havia efeito e os resultados positivos poderiam parecer menores ou até passar despercebidos, falta de dados sobre eventos adversos, resultados de mortalidade ausentes para o grupo de controle concomitante. Enfim, houve um festival de erros graves que podem ser conferidos com mais detalhes no link.
O estranho caso da ivermectina in vitro
Em abril de 2020, a Universidade de Monash, na Austrália, publicou que a ivermectina era capaz de inibir o SARS-CoV-2 em células de laboratório. O objetivo do estudo era apenas verificar se havia efeito e sugerir um possível mecanismo de ação. Ainda assim, algumas universidades passaram a afirmar que o medicamento só teria efeito em humanos com doses tóxicas. O problema é elementar: testes in vitro não servem para calcular a dose em seres humanos, algo plenamente estabelecido na ciência. Não existe base científica para calcular dose humana a partir de testes in vitro. Testes in vitro mostram se um medicamento funciona em células ou tubos de laboratório, mas não dizem qual a dose segura para as pessoas. No corpo humano, o medicamento precisa ser absorvido, distribuído, metabolizado e eliminado, e pode causar efeitos em diferentes órgãos. Por isso, só estudos com animais e ensaios clínicos podem definir a dose correta e segura.
Hepatite e ivermectina
Durante a pandemia, como já mencionado, a ivermectina tornou-se um ato político. Grupos alinhados à ortodoxia institucional passaram a desacreditar medicamentos genéricos e baratos que não geram lucro, explorando o impacto emocional de termos como hepatite. A imprensa, por sua vez, ampliou dois ou três casos e mal documentados, em países distintos, e os transformou no mito de uma suposta epidemia de hepatite pós-ivermectina.
Para saber se a ivermectina causa hepatite, não basta relato isolado nem manchete. Uma droga só pode ser acusada de causar hepatite quando estudos controlados mostram dano ao fígado maior que o placebo, se o efeito se repete, se existe um mecanismo plausível e os critérios de causalidade confirmam a relação. Em outros termos, só se pode afirmar que uma droga causa hepatite quando ensaios clínicos mostram elevação consistente das enzimas hepáticas em relação ao placebo, o achado é reproduzido em diferentes grupos, existe um mecanismo biológico plausível e os critérios formais de causalidade, como o RUCAM, atingem pontuação compatível com causalidade provável ou definida.
Nada disso existe para a ivermectina. O que existe são apenas casos isolados, geralmente associados a doses muito altas ou uso prolongado, quase sempre com fatores de confusão como álcool, paracetamol, antibióticos ou doença hepática prévia. Quando avaliados pelo RUCAM, esses casos permanecem no máximo como “possíveis” ou “inconclusivos”, sem comprovação de causalidade, apenas coincidência temporal.
A última atualização do LiverTox , um banco de dados de hepatotoxicidade induzida por medicamentos, não classificou a ivermectina como hepatotóxica conhecida, uma conclusão recentemente confirmada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA [NIH, 2021]. Além disso, como os denunciantes da hepatite por ivermectina poderiam explicar o estudo realizado no Brasil, onde crianças utilizaram doses de até 10 comprimidos diariamente por 6 meses, sem causar hepatite?
Em março de 2021, o toxicologista francês Jacques Descotes revisou cerca de 350 estudos e concluiu que a ivermectina não causou aumento de mortes nas pessoas que a usaram. Segundo ele, dizer que a ivermectina “mata pacientes” é enganoso, porque ignora décadas de dados médicos. Ele também destacou que, apesar do uso amplo do remédio em humanos e animais, há pouquíssimos casos de overdose acidental. Quando aconteceram, os efeitos foram geralmente neurológicos leves e passageiros, com recuperação rápida. Não houve mortes, nem mesmo em crianças pequenas. A ocorrência de hepatite por ivermectina é incomum, com apenas alguns casos registrados na literatura científica.
