Segundo estudo científico ‘padrão ouro’, Tamiflu é ineficaz e aumenta risco de morte em casos de gripe

Apenas 27 anos depois de lançado e mais de US$ 20 bilhões em vendas, foi feito um estudo padrão ouro do tamiflu. O medicamento, que também é oferecido no SUS, fez exatamente o contrário do que deveria fazer.
Foto: chat GPT

O Tamiflu, um medicamento para a gripe fornecido pelo SUS, passou pela primeira vez por um estudo “padrão ouro”, ou seja, randomizado. O resultado, da comparação entre pacientes que tomaram o medicamento ou o placebo, foi que o medicamento provocou a morte de mais pacientes.

“O tratamento com oseltamivir é ineficaz e altamente propenso a aumentar a mortalidade em 90 dias em pacientes gravemente enfermos com influenza”, escreveram os cientistas no estudo.

O estudo, publicado em pré-print e feito por cientistas canadenses, recrutou 442 pacientes com 12 anos de idade ou mais. O início do medicamento foi em pacientes hospitalizados.

Desenho do estudo

  • 162 pacientes receberam tamiflu (oseltamivir) por 5 dias
  • 156 pacientes receberam tamiflu (oseltamivir) por 10 dias
  • 124 pacientes não receberam o antiviral

Resultados

No dia 90 do estudo, os resultados eram:

  • No grupo sem medicamento, 13,7% estavam mortos.
  • No grupo de 5 dias de tratamento, 19,8% estavam mortos.
  • No grupo de 10 dias de tratamento, 19,4% estavam mortos.

O estudo foi interrompido pelos cientistas por excesso de mortalidade entre os tratados.

Histórico nos EUA

O medicamento foi aprovado pela FDA em 1999, mesmo sem estudos randomizados. Por ano, apenas nos EUA, são prescritas quase 2 milhões de doses. “Provavelmente matou dezenas de milhares de idosos americanos, e muito possivelmente mais de 100.000, desde que a farmacêutica suíça Roche o lançou há 27 anos . No entanto, os jornalistas de saúde da grande mídia desprezaram completamente o estudo”, afirmou o jornalista de saúde Alex Berenson.

A Roche vendeu cerca de US$ 20 bilhões em Tamiflu em todo o mundo entre 1999 e 2016, quando sua patente americana para o medicamento expirou. Suas vendas atingiram o pico de US$ 3 bilhões em 2009, quando a histeria em torno da gripe suína levou governos do mundo todo a estocar o medicamento.

No Brasil: comprado pelo SUS

Em farmácias, o preço de uma caixa com 10 cápsulas do medicamento genérico custa em média R$ 150. Para manter o abastecimento nacional, o Ministério da Saúde projeta compras anuais que variam de 13 milhões a 18 milhões de cápsulas encomendadas diretamente à Farmanguinhos/Fiocruz. 

Portanto, dependendo do laboratório parceiro e do volume exato adquirido, o gasto anual do Ministério da Saúde flutua entre R$ 50 milhões e R$ 95 milhões.

O que dizem as revisões em casos leves?

A eficácia do Tamiflu já era questionada para casos leves de gripe. Uma grande revisão sistemática da rede independente Cochrane apontou que o oseltamivir não reduziu o número de internações hospitalares entre os participantes de estudos de tratamento, apenas reduzindo em algumas horas os sintomas, com baixa certeza, mas com diversos efeitos adversos.

Fonte:

Oseltamivir for Critically Ill Patients with Influenza: A Randomised Trial


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Foto de Redação MPV

Redação MPV

Equipe de jornalismo do MPV - Médicos Pela Vida, uma associação médica com milhares de associados que se notabilizou no atendimento da linha de frente da COVID-19.