Um estudo britânico, liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, já revisado por pares e publicado em periódico científico, quantificou o fracasso que foi recomendar ou obrigar as vacinas COVID-19 para crianças e adolescentes.
A pesquisa, que envolveu mais de 1 milhão de crianças e adolescentes, foi minuciosa e incluiu duas faixas etárias: adolescentes de 12 a 15 anos e crianças de 5 a 11 anos. Houve uma comparação direta entre vacinados e não vacinados. Trouxe resultados claros tanto de eficácia como de segurança. Os pesquisadores utilizaram o banco de dados do Serviço Nacional de Saúde britânico, o NHS, um dos mais rigorosos da Europa.
Primeira evidência
Nenhuma criança ou adolescente, vacinada ou não vacinada, teve morte por COVID-19, confirmando as evidências de que as crianças e adolescentes não são do grupo de risco da doença.
Adolescentes de 12 a 15 anos: eficácia marginal contra a COVID-19
Nos cinco meses de acompanhamento do estudo, entre os adolescentes, foram encontrados resultados marginais de eficácia da vacinas em desfechos COVID-19:
- 26% de redução de chance de pegar COVID (embora a diferença tenha diminuído mesmo durante o período de cinco meses acompanhado pelos pesquisadores).
- 42% de redução de hospitalizações COVID-19 nos vacinados.
- Nenhum adolescente entre as 47.804 vacinadas foi para a UTI devido a COVID. Entre as as não vacinadas, 3 de 47.837 precisaram de UTI, mas sem óbitos, tanto em vacinados como não vacinados.
Contudo, a eficácia para redução de infecção COVID-19 foi de curta duração: “A proteção contra testes positivos para SARS-CoV-2 foi transitória”, explicaram os cientistas no estudo.

Adolescentes de 12 a 15 anos: lesões
- Miocardite/pericardite em adolescentes vacinados: 12
- Miocardite/pericardite em adolescentes não vacinados: 0
Vários desses adolescentes foram hospitalizados. Pelo menos um adolescente precisou de cuidados intensivos devido à miocardite, mas os pesquisadores não deram mais detalhes.
“Miocardite e pericardite foram documentadas apenas nos grupos vacinados, com taxas de 27 e 10 casos/milhão após a primeira e a segunda doses, respectivamente”, escreveram os cientistas no estudo.
Adolescentes de 12 a 15 anos: mortes por causas não relacionadas à COVID-19
- Vacinados: 3 adolescentes morreram
- Não vacinados: nenhum morreu
Os pesquisadores não deram mais detalhes desses óbitos entre adolescentes.
Crianças de 5 a 11 anos: nenhuma eficácia contra a COVID-19
Em crianças pequenas, o desfecho da infecção não foi medido. Confira os dados de hospitalizações:
- Sem redução em hospitalizações por COVID (3 de 16.233, em vacinados vs. 3 de 16,242 em não vacinados)
- Nenhuma criança foi para a UTI, nem entre vacinadas, nem entre não vacinadas.
- Entre as crianças vacinadas, houve 10% de aumento de chance de internações por outras causas.
Crianças de 5 a 11 anos: lesões
- Miocardite/pericardite em crianças vacinadas: 3
- Miocardite/pericardite em adolescentes não vacinadas: 0
Comentário editorial MPV
Por que os autores concluíram positivamente mesmo diante desses dados?
A balança, claramente, tende mais aos riscos que os benefícios. Entretanto, leitores atentos notarão uma tensão entre os dados apresentados e as conclusões cuidadosas dos cientistas no estudo. Os autores, diante de eficácia transitória contra infecção, ausência de benefício mensurável em crianças de 5 a 11 anos, e casos de miocardite e pericardite exclusivamente no grupo vacinado, concluíram de modo razoavelmente positivo: “a vacinação com BNT162b2 em adolescentes reduziu atendimentos de emergência e hospitalizações por COVID-19”.
Não afirmamos que houve manipulação. Mas é legítimo, e necessário, perguntar sobre o contexto institucional da pesquisa.
O estudo é financiado principalmente pelo Wellcome Trust. Em 2021, o BMJ, periódico médico britânico de referência, publicou investigação jornalística questionando a independência do Wellcome Trust durante a pandemia. O Wellcome Trust, um dos maiores financiadores mundiais de pesquisa em saúde, posicionou-se para ganhar financeiramente com a pandemia de COVID-19, levantando questões sobre transparência e responsabilidade. A investigação mostrou que a instituição co-liderava um programa da OMS para novos tratamentos contra COVID-19 enquanto simultaneamente detinha investimentos em empresas produtoras desses mesmos tratamentos.
O leitor pode tirar suas próprias conclusões. O que importa é que conflitos de interesse institucionais existem, são relevantes, e devem ser declarados com transparência, algo que a ciência honesta exige.
O viés do vacinado saudável
Há um problema metodológico estrutural em estudos observacionais como este: o chamado “viés do vacinado saudável” (healthy vaccinee bias). Pessoas que escolhem se vacinar, ou vacinam seus filhos, tendem a ser, em média, mais saudáveis, mais engajadas com cuidados de saúde e com maior acesso a serviços médicos do que as não vacinadas. Esse perfil diferente entre os grupos, mesmo após o pareamento estatístico, confere às vacinas uma vantagem oculta nas comparações. Em outras palavras: parte do benefício observado pode não ser da vacina em si, mas do fato de que quem se vacina já era mais saudável e mais propenso a buscar atendimento médico preventivo.
Esse viés é particularmente relevante aqui porque os números brutos mostram um benefício marginal em adolescentes, nenhum em crianças, e o risco presente nas duas faixas etárias,
O Brasil é o único país do mundo a obrigar a vacina COVID-19 em crianças
Enquanto países europeus sequer recomendam a vacinação contra COVID-19 para crianças saudáveis, o Brasil segue sendo o único país do mundo a torná-la obrigatória para esse grupo, condicionando, em muitos municípios, a matrícula escolar ao comprovante de vacinação.
Diante dos dados deste estudo, eficácia transitória, ausência de benefício claro em crianças menores, e eventos cardíacos inflamatórios e mortes exclusivamente no grupo vacinado, essa política não tem justificativa científica. Pedimos ao Ministério da Saúde e às autoridades sanitárias brasileiras a revisão imediata da obrigatoriedade da vacina COVID-19 em crianças e adolescentes.
Cautela: este estudo avaliou apenas 20 semanas
Por fim, um alerta metodológico importante: o acompanhamento dos participantes (no caso, crianças e adolescentes) foi de apenas 20 semanas, cerca de cinco meses. Trata-se de um prazo curto a médio, insuficiente para capturar efeitos adversos de manifestação mais tardia.
O próprio estudo, nessas duas faixas etárias, já concluiu que a eficácia para infecções é transitória. Ou seja, em curto prazo, funciona, pouco, mas funciona, e em poucas semanas, a eficácia torna-se nula. Enquanto isso, estudo em adultos, com um prazo maior, mostra que a eficácia torna-se negativa, como o sólido estudo feito pela Cleveland Clinic com mais de 40 mil funcionários da rede hospitalar.
Além disso, entre os desfechos de segurança, o estudo britânico avaliou praticamente apenas miocardite e pericardite. Outros potenciais efeitos adversos, neurológicos, imunológicos, reprodutivos, não foram investigados. Um recente estudo italiano, comparando também vacinados e não vacinados, descobriu um aumento alarmante de casos de câncer em vacinados.
Fonte
OpenSAFELY: Effectiveness of COVID-19 Vaccination in Children and Adolescents