Checamos: é falho estudo que conclui que vacinas COVID reduzem risco cardiovasculares em idosos

Estudo observacional de baixa qualidade virou manchete nos principais jornais do Brasil e do exterior.

Recentemente, no dia 15 de junho, foi publicado um estudo periódico JAMA Internal Medicine: 2024-2025 COVID-19 Vaccine and Major Adverse Cardiovascular Events Among US Veterans.

Este estudo rapidamente se tornou notícia nos principais jornais dos EUA e também do Brasil. “Vacina da covid reduz risco de infarto e AVC em idosos, aponta estudo”, publicou o ICL Notícias, com conteúdo da FolhaPress, a agência de informações da Folha de S. Paulo.

A manchete também foi reproduzida em outros jornais, como O Correio do Povo: “Vacina da Covid-19 é associada a proteção contra danos ao coração, afirma estudo”.

O que a notícia alegava?

A notícia dizia que o estudo “mostrou que a vacina atualizada contra a COVID-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves associados à doença, como infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte com origem cardiovascular, em comparação com as pessoas que receberam apenas a vacina da gripe”.

“Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos cardiovasculares”, complementaram.

“Nos demais grupos, os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, não é possível afirmar com segurança que a vacina da COVID protegeu essas faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos participantes era de 70 anos”.

Por que fomos checar?

No estudo oficial da vacina da Pfizer, “padrão ouro”, randomizado, controlado por placebo, com o resultado de seis meses, publicado na New England Journal of Medicine, com cerca de 22 mil pessoas no braço vacina e 22 mil no placebo, quando finalizado, haviam mais pessoas mortas no braço vacina do que no placebo. Primeiramente, eram 15 x 14. Depois, ao atualizarem este número na FDA, agência regulatória norteamericana, o número foi para: 21 mortos na vacina x 17 no placebo. Posteriormente, numa terceira atualização, o número subiu para 22 mortos na vacina e 16 no placebo.

“O achado mais relevante foi a evidência de um aumento superior a 3,7 vezes no total de óbitos decorrentes de eventos cardíacos nos indivíduos que receberam a vacina BNT162b2, quando comparados com o grupo que recebeu apenas o placebo”, escreveram os cientistas na última revisão.

Posteriormente, acompanhando os dados populacionais, houve um aumento brutal, além da linha de tendência, de internações por infartos no Brasil em pessoas com menos de 50 anos, segundo os dados oficiais do Tabnet DataSUS, do sistema único de saúde do Brasil.


O questionamento que surgiu a partir disso

Nos estudos oficiais, randomizados, já tivemos mais casos de riscos cardiovasculares nos vacinados. Posteriormente, quando aplicado em toda a população, os casos de infartos aumentaram. Anteriormente, também em estudos populacionais da Inglaterra, em crianças e adolescentes, os riscos cardiovasculares, como miocardite e pericardite, foram documentados apenas em vacinados, conforme o próprio MPV noticiou anteriormente: Análise: estudo britânico comprova que vacinas COVID-19 para crianças e adolescentes são inúteis e perigosas – Médicos Pela Vida

A pergunta que sobrou: será que em casos de idosos, o risco pode ser invertido?

Como avaliamos?

Fomos procurar análises dos mais conceituados cientistas do mundo, que além de terem domínio profundo sobre as vacinas contra a COVID-19, produziram análises e estudos sólidos do assunto.

É o caso de Vinay Prasad, conceituado professor de epidemiologia e bioestatística da University of California, uma das mais conceituadas dos EUA, além de ter sido Diretor do Center for Biologics Evaluation and Research (CBER) da FDA.

Em uma postagem em seu substack, Prasad, no título, já conclui sobre o artigo: “apresenta um resultado absurdo que invalida todo o estudo”. Ele chama sua análise de “revisão por pares pós-publicação”.

“Um novo artigo publicado no JAMA IM afirma que a dose de reforço da vacina contra a COVID-19 administrada entre 24 e 25 dias reduz eventos cardiovasculares, mas o suplemento contém dados que invalidam todo o artigo”, inicia a análise.

É claro que este não é um ensaio randomizado. Trata-se de um estudo observacional. Portanto, a primeira pergunta que você deve fazer é: os grupos são bem pareados? Os autores criaram dois grupos comparáveis ​​cuja única diferença foi o recebimento da vacina contra a COVID-19?

No suplemento, fica claro que não conseguiram um pareamento adequado. As curvas de mortalidade por todas as causas se separam no 10º dia. Isso é simplesmente impossível de acontecer tão rápido. A curva de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) se separa na 5ª semana, e a de mortalidade por todas as causas, na 2ª semana. A única explicação é que o grupo não vacinado é fundamentalmente diferente desde o início do estudo. O efeito do vacinado saudável. O estudo não conseguiu estabelecer um grupo de controle adequado.

Prasad destacou o principal gráfico do suplemento do estudo:

“Isso é tudo o que precisa ser dito”, afirmou. Para o especialista, essa falha é tão grave que invalida todo o artigo. Ele também critica a revista JAMA IM por não ter detectado esse erro, mencionando que ele e outros já haviam apontado problemas semelhantes anteriormente na própria revista.

“O estudo inteiro, e todos os resultados incluídos, são falhos. Não só não deveria estar nas notícias, como o estudo não deveria ter sido publicado. É irremediavelmente falho”, concluiu.

Fonte

A new JAMA IM paper on covid shots contains a preposterous result that invalidates the entire paper


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Redação MPV

Equipe de jornalismo do MPV - Médicos Pela Vida, uma associação médica com milhares de associados que se notabilizou no atendimento da linha de frente da COVID-19.

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