Editorial: as perguntas incômodas sobre o caso Isabelli Borges

Reprodução/Arquivo pessoal.


Nós, Médicos Pela Vida, iniciamos este editorial com uma pergunta: Isabelli Borges Valentim precisava realmente se vacinar? Era necessário?

Isabelli era uma jovem saudável de 16 anos. Adolescentes, nesta idade, sem comorbidades, caso sejam infectados pelo vírus, têm possibilidades baixíssimas de desenvolver COVID-19 na forma grave.

Mas tomar a vacina, para ela, era parte de um sonho a ser realizado. Isabelli queria ir para os EUA, visitar a Disney.  Assim, em 25 de agosto, pensando na viagem, ela recebeu uma dose da Pfizer.

Oito dias depois ela estava morta.

Isabelli foi vítima de choque cardiogênico, infarto agudo e anemia severa. É isso que está relatado em  seu atestado de óbito. Moradora de São Bernardo do Campo-SP, ela foi atendida em um hospital de sua cidade com saturação em 77%. Com o quadro se agravando, logo precisou ser transferida para uma unidade intensiva, sendo encaminhada para a capital paulista.

Segundo sua mãe, a adolescente estava com saturação em torno de 30% e nível extremamente baixo de hemácias e plaquetas. Após o ocorrido, com o caso ganhando repercussão, autoridades foram acionadas.

O caso foi analisado por uma junta de 70 pesquisadores. Concluíram tratar-se de Púrpura Trombocitopênica Trombótica. Logo concluíram: “não é possível atribuir diretamente a doença e óbito à vacinação”. Apesar de estudos já vincularem miocardite à vacina, eles não fizeram a conexão dos eventos.

Cristiane Borges, mãe da vítima, até o momento dessa nota, não teve acesso ao prontuário hospitalar. Isabelli era sua única filha.

O mais triste disso tudo é que o drama de Cristiane pode se repetir em larga escala no país. Além do quadro descrito no caso de Isabelli, o que mais assusta é  o risco de miocardite aumentando em até seis vezes, no caso de meninos.

Contra a recomendação do Ministério da Saúde

“Mães, não levem suas crianças para tomar vacina que não tem autorização da Anvisa, nós não vamos aceitar isso” afirmou o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, recentemente em uma coletiva de imprensa.

Cerca de 20 dos 27 estados decidiram contrariar a recomendação. O ministro queria restringir a vacina COVID em adolescentes apenas para aqueles com comorbidades, portadores de deficiência ou privados de liberdade.

Nesse meio tempo, o Governador João Dória, muitos outros governadores e prefeitos relatam que irão manter a vacinação dos adolescentes. Em São Paulo já começou em 18 de agosto e cerca de 72% desta população já foi vacinada.

E sobre o caso Isabelli Borges pairam muitas dúvidas  longe de serem respondidas:

1 – Como não estabelecer relação de causa e efeito entre a vacina e reação pós- vacinal se aconteceu poucos dias após a injeção da Pfizer? Essa pergunta se impõe numa jovem previamente saudável.

2 – Se a Púrpura Trombocitopênica Trombótica foi relacionada à vacina Pfizer em Israel, um país com vacinação bem avançada, porque nenhum dos 70 pesquisadores divergiram? Será que o Governo de São Paulo expôs os critérios para escolha desses pesquisadores? Eles declararam conflitos de interesse? Quais foram os critérios usados para chegarem às suas conclusões?

3 – Por que o hospital não libera o prontuário da Isabelli para a família dela? Além de ter direito por lei do acesso ao prontuário médico, era o mínimo que a instituição deveria prestar a uma mãe nesse momento de dor.

O grupo Médicos Pela Vida esteve ao lado da população durante toda essa pandemia, buscando a verdade dos fatos e as melhores condutas, inclusive mostrando que a saída da pandemia está no tratamento integral, e o quanto antes.

Em menores de 30 anos a doença costuma ser extremamente leve e apenas raros casos evoluem mal. Não é justificável o risco das vacinas em menores de idade e tampouco a obrigatoriedade em maiores, visto que os casos graves de 18 a 30 anos também são raros.