Sobre o relatório final da CPI do Senado – pandemia covid19

Os Médicos pela Vida vêem com tristeza a decepção que foi a CPI comandada por alguns senadores que pareciam mais interessados em holofotes do que realmente investigar acontecimentos relacionados à pandemia.

Havia um potencial grande, principalmente quando o assunto é ciência, tratamentos e salvar vidas.

Infelizmente, prevaleceu na CPI a continuidade de uma narrativa que prega equivocadamente o não tratamento imediato da doença, e defende a opção de tratar tão somente as suas  graves complicações.

Ao invés de tratar em casa, com medicamentos eficazes, seguros e baratos, fomentou-se o alto custo de tudo, inclusive em vidas: o tratamento das complicações apenas em hospitalizados. É a narrativa dos medicamentos e materiais caros, dos insumos lucrativos e dos respiradores caríssimos (inclusive de porcos) que só beneficiam uma indústria de mercadores da morte. Seja nos desvios ainda não apurados do setor público, seja na sua extensão privada. O que levou muitos a rotular a pandemia de FRAUDEMIA.

Isso desde o início, quando sequer existiam propostas de vacinas.

Os médicos que defendem e praticam o tratamento domiciliar da covid saíram na frente e salvaram vidas. Muitas vidas. 

E centenas de milhares de vidas poderiam ter sido poupadas se os governantes tivessem assegurado assistência integral à covid19 e disponibilizado medicamentos para tratamento imediato nos postos de saúde e nas Farmácias Populares desde o começo.

A CPI não promoveu a discussão científica esperada. Ao contrário, martelou de forma sistemática a mesma narrativa inverídica da imprensa tendenciosa que fala de “medicamentos sem comprovação científica”, produzindo verdadeira lavagem cerebral na população.

Um desserviço à nação
Dois pesos, duas medidas. Quando a Dra Nise Yamaguchi compareceu, vimos um espetáculo de misoginia e interrupções grosseiras. Já para uma médica que não atendeu pacientes, mas falava o que o núcleo de comando da CPI queria ouvir, o tratamento foi o tapete vermelho e a pompa com todos os holofotes. A mesma coisa para uma bióloga que se diz pesquisadora mas tem um histórico pífio de ciência, entre outros que apenas desejavam impor uma narrativa.

Quando compareceram dois médicos infectologistas, que trataram muitos pacientes e produzem ciência, com excelentes resultados clínicos e baixíssima fatalidade, senadores abandonaram a audiência. Não havia argumentos para desqualificar os números, estudos e conhecimento de Francisco Cardoso e Ricardo Zimmerman.

Agora vivemos momentos de verdadeira exceção: o direito de ir e vir foi solapado, e está em curso um verdadeiro apartheid social com a imposição direta ou indireta de “passaporte sanitário” (lembrando que esse tipo de segregação foi inaugurado no nazismo em 1936).

Os Médicos pela Vida foram mencionados na CPI. De maneira elogiosa por alguns. E de maneira depreciativa, por outros. Em um ato autoritário, sem qualquer evidência concreta, a cúpula da CPI pediu a quebra de sigilo da associação AMPV. 

Recorremos ao STF, pois não havia nada que justificasse a quebra de sigilo, pois os Médicos pela Vida sequer foram ouvidos.

Uma ministra do supremo manteve a quebra de sigilo, usando a mesma argumentação do senador que a requerera. 

Incrível. De posse dos dados com a quebra do sigilo, o que encontraram? Nada! Mas mencionaram isso? Não. Pois o objetivo parece ser o assassinato de reputação. E não são apenas os Médicos pela Vida, nós apenas simbolizamos uma ideia, uma forma médica de agir. Quando se agride todos os Médicos que defendem e praticam o TTP, as grandes  vítimas são as pessoas que deixam de ser tratadas. 

O objetivo parece ser a demonização do tratamento e a imposição do pensamento único. 

Como podem pessoas e instituições serem incriminadas, sem sequer serem ouvidas?

Nem a AMPV, nem o presidente do Conselho Federal de Medicina foram chamados nem ouvidos.

Mas a medicina foi violentada, com políticos, jornalistas, promotores de justiça, até artistas. Toda a sorte de pitaqueiros enchem o papo pretendendo dizer o que os médicos devem fazer. 

A vida merece respeito. E a sua preservação, diante de ameaça à saúde, requer acolhimento imediato e autonomia do médico em sua condução.

PS: Esta é uma breve leitura. Discorrer sobre 1180 páginas certamente merece seis meses – o tempo da CPI.

PS 2: Os medicamentos usados para o tratamento da COVID19 são eficazes e seguros, em produção constante e facilmente acessíveis (link para a lista completa aqui)

Médicos pela Vida