Editorial do WSJ começa a desnudar Fauci, figura pública do lockdown e das vacinas contra a Covid-19

“Depois de ler os diários de Fauci, a verdadeira questão é por que permitiríamos que uma pessoa assim nos governasse dessa maneira novamente”, questiona o editorial.
Foto: Governod os EUA.

Um editorial assinado pelo Conselho Editorial do Wall Street Journal, publicado em 27 de julho, analisa o conteúdo dos diários pessoais do Dr. Anthony Fauci, tornados públicos pelo senador republicano Rand Paul (Kentucky). São mais de 1.100 páginas cobrindo o período de dezembro de 2019, pouco antes dos primeiros relatos do surto em Wuhan, até dezembro de 2022, quando Fauci deixou o governo americano. O material chegou dias antes de Fauci depor perante o Comitê de Segurança Interna do Senado dos EUA, presidido pelo próprio Paul, ocorrido hoje.

Um retrato bem diferente do que ele disse em público

Segundo o WSJ, os registros mostram um Fauci distante da imagem de cientista comedido que cultivava diante das câmeras. Em 1º de fevereiro de 2020, ele teria se reunido com uma dúzia de virologistas renomados. Nesta ocasião, apenas dois deles davam crédito à hipótese de origem natural do vírus. A maioria suspeitava de manipulação em laboratório, sobretudo pelo histórico da pesquisadora chinesa Shi Zhengli com estudos de ganho de função. Dias depois, em 26 de janeiro, o próprio Fauci já duvidava que o mercado de animais vivos de Wuhan fosse a origem.

“O Dr. Fauci acreditava que o vírus não havia se originado no mercado de animais vivos de Wuhan, frequentemente identificado como a fonte pelos defensores da teoria da origem natural. Isso não o impediu, juntamente com seus aliados, de rotular os céticos da teoria da origem natural como lunáticos politizados e teóricos da conspiração. Documentos divulgados anteriormente revelam como o Dr. Fauci orquestrou a publicação de um artigo científico para suprimir a teoria de que a Covid-19 teria vazado do Instituto de Virologia de Wuhan”, afirma o editorial.

O diário também expõe os bastidores dos lockdowns: Fauci se orgulha de ter convencido figuras como o governador da Califórnia Gavin Newsom e o então prefeito de Nova York Bill de Blasio a fechar escolas e paralisar boa parte da economia, para depois negar publicamente que jamais tivesse defendido lockdowns. 

O WSJ nota, ainda, uma fixação de Fauci pela própria cobertura de imprensa, a ponto de perfis elogiosos em veículos como Nightline, Washington Post e Newsweek ocuparem tanto espaço no diário quanto os debates científicos mais relevantes da pandemia.

O texto destaca também que Fauci não escondia seu orgulho pela dureza com que tratava quem o contrariava. “Dr. Fauci se vangloriava de sua crueldade para com os críticos. Em 14 de julho de 2020, ele tentou abafar um memorando cético sobre suas políticas, escrito pelo colaborador do Journal, Stephen Moore”, afirma o editorial.

“Ele tentou excluir os céticos do lockdown dos cargos de formulação de políticas. Ele se refere a Jay Bhattacharya, Sunetra Gupta e Martin Kulldorff, autores da Declaração de Great Barrington, crítica ao lockdown, como ‘os três patetas’”.

“Desonesto”

O editorial não deixa margem para dúvida: em pontos centrais, diz o WSJ, Fauci não apenas errou. Ele foi “desonesto”, no termo usado pelo próprio jornal. É essa a conclusão próxima do fechamento do texto.  “Tudo isso aponta para uma lição maior ainda não aprendida com o desastre da Covid. O médico dos diários se mostra humano demais — teimoso, parcial, vaidoso e vingativo. No entanto, a mídia e a maior parte da classe política o trataram como um sábio salomônico, o tecnocrata perfeito capaz de gerir toda a sociedade”.

Lockdowns “catastróficos”

O WSJ não teve medo de condenar os lockdowns. “O histórico da Covid mostra que seus conselhos estavam frequentemente errados e, no caso dos lockdowns, foram catastróficos. É por isso que os eleitores se rebelam cada vez mais contra o governo de “especialistas”. Depois de ler os diários de Fauci, a verdadeira questão é por que permitiríamos que uma pessoa assim nos governasse dessa maneira novamente”.

A idolatria de Fauci no Brasil: o caso Atila Iamarino

A idolatria em torno de Fauci não ficou restrita aos Estados Unidos. No Brasil, o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino, o mais seguido do país, com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, construiu boa parte de sua reputação durante a pandemia, defendendo publicamente as afirmações de Fauci.

Em uma publicação da época, Átila criticava políticos por não idolatrarem Fauci como ele idolatrava. Átila acusava políticos de não aceitarem o “protagonismo de agentes de saúde como o Fauci”.

Em outra publicação, Átila foi além, reproduzindo e endossando uma fala alarmista atribuída a Fauci: “Se você quer voltar pro mundo pré-coronavírus, isso pode não acontecer nunca mais”. Átila fez questão de frisar que a frase não era dele, e sim do próprio chefe da força-tarefa de coronavírus da Casa Branca. 

“Fica evidente que o divulgador científico não sabia o que falava, apenas traduzia para o português os comandos que os poderosos tecnocratas estadunidenses enviavam para os países periféricos subdesenvolvidos”, afirma o Dr. Carlos Nigro, médico que atuou na linha de frente da COVID-19.

Anos depois, Átila se tornaria alvo de críticas por sua proximidade com a indústria farmacêutica ao fazer publicidade para a Pfizer.

Um editorial “demolidor”

O jornalista João Luiz Mauad resumiu o impacto do editorial em uma publicação nas redes sociais, classificando-o como demolidor. “Os diários evidenciam que o homem mais poderoso do planeta, à época, não passava de um narcisista, ególatra, manipulador e intelectualmente desonesto, embevecido pelo sucesso diante de uma mídia mainstream enviesada e disposta a endossar, sem maiores questionamentos, quaisquer políticas sanitárias autoritárias”

Fonte:

The Revealing Diaries of Dr. Fauci – WSJ


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Redação MPV

Equipe de jornalismo do MPV - Médicos Pela Vida, uma associação médica com milhares de associados que se notabilizou no atendimento da linha de frente da COVID-19.

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