Editorial: generalizar médicos como potenciais estupradores fere a Medicina e a ética

Abordagem de médica nas redes sociais viola frontalmente princípios fundamentais do Código de Ética Médica.

A Associação Médicos pela Vida tomou conhecimento, com surpresa e indignação, de publicação realizada no Instagram pela médica Melania Amorim, ginecologista e obstetra, mestre e doutora, na qual generaliza de forma grave e discriminatória os médicos do sexo masculino.

Em postagem recente, a médica afirma que os médicos são “homens como quaisquer outros”, com “desejo de dominar, poder, pênis” e “perversão possível”, concluindo que “podem, sim, estuprar”. Complementa a mensagem afirmando que seu compromisso é com as mulheres e que os médicos homens não devem “choramingar” nos comentários.

Não se trata aqui de negar a existência de casos reais e lamentáveis de abuso sexual praticados por alguns profissionais, os quais devem ser rigorosamente investigados e punidos pelos Conselhos de Medicina e pela Justiça. O problema reside na generalização irresponsável que transforma todos os médicos em suspeitos apenas por serem homens e possuírem pênis.

Essa abordagem viola frontalmente princípios fundamentais do Código de Ética Médica, especialmente:

1. O exercício da Medicina sem discriminação de qualquer natureza;
2. O dever de respeito e solidariedade entre os pares;
3. A proibição de condutas que prejudiquem a imagem e a dignidade da profissão médica.

Ao associar diretamente a condição de ser homem ao risco de estupro, a publicação promove discriminação por sexo, fomenta a desconfiança entre paciente e médico e carrega evidente viés comercial, uma vez que a autora atua em especialidade cujos clientes são mulheres.

Diante disso, a Associação Médicos pela Vida protocolou o Ofício MPV 01/2026 junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB), solicitando a devida apuração ética do caso e a retratação pública da médica.

Não aceitamos que a militância ideológica ou interesses comerciais se sobreponham aos valores éticos que sustentam a Medicina. Generalizações misândricas não protegem as mulheres, apenas dividem, desagregam e enfraquecem a classe médica como um todo.

A Medicina só cumpre seu papel quando se baseia na confiança, no respeito mútuo e na competência técnica, independentemente do sexo do profissional. Qualquer tentativa de transformar o consultório em campo de batalha ideológico deve ser firmemente rechaçada.

A Associação Médicos pela Vida reafirma seu compromisso com a defesa intransigente da ética médica, da dignidade profissional e da união da classe, acima de qualquer agenda política ou ideológica.

EM ANEXO, O OFÍCIO.

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Redação MPV

Equipe de jornalismo do MPV - Médicos Pela Vida, uma associação médica com milhares de associados que se notabilizou no atendimento da linha de frente da COVID-19.

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