Uma publicação do Ministério da Saúde (MS) envolvendo o tenista brasileiro João Fonseca surpreendeu os mais atentos. Depois de ganhar destaque recente do circuito internacional alcançando as quartas de final de Roland Garros, ele foi citado num post do instagram do MS como exemplo de “vacinação” covid e suscitou o debate sobre privacidade de dados, vacinação e liberdade de escolha.
Em mais uma tentativa de emplacar a narrativa enferrujada da “vacina” Covid-19, o MS buscou associar o sucesso esportivo do jovem atleta ao fato dele ter recebido o inoculante.
Quem tenta obter informações sobre o histórico vacinal de pessoas que sofrem mal súbito ou algum possível efeito adverso às inoculações, frequentemente são rotulados de especuladores ou conspiracionistas e alvos das mais diversas críticas da mídia mainstream, que muitas vezes parece atuar mais como porta-voz do governo do que como imprensa imparcial.
A publicação no instagram do MS mais parece uma indireta ao sérvio Novak Djokovic derrotado no torneio pelo brasileiro. Djokovic, um dos maiores nomes da história do tênis e que durante a pandemia, tornou-se símbolo da defesa da liberdade de escolha ao recusar a “vacinação” obrigatória para participar de determinados torneios internacionais.
No mundo do esporte, permanece o reconhecimento do desempenho do tenista João Fonseca, cuja trajetória desperta grandes expectativas entre os torcedores brasileiros. Que seu talento continue rendendo conquistas ao esporte nacional.
E quanto a Djokovic, uma derrota que nada diminui o carisma e a grandeza do esportista. Trata-se de um prestígio que não precisa ser reivindicado por ele próprio; seus admiradores o fazem naturalmente, em reconhecimento à sua trajetória dentro e fora das quadras.
A postura de Djokovic na resistência à obrigatoriedade vacinal ganhou milhares de adeptos, até que essa política acabou abandonada em praticamente todo o mundo, salvo raras exceções. Talvez por isso, a publicação do MS tenha despertado inúmeras críticas e contestações, algumas apagadas de forma nada republicana, como a do médico infectologista e conselheiro federal de Medicina por São Paulo, Francisco Cardoso.
Segundo Cardoso, a utilização das informações divulgadas pelo órgão público pode violar os princípios estabelecidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). E para não cair no esquecimento, ele repostou o texto no Threads.
Essa manifestação do conselheiro de São Paulo está em consonância com outra conduzida ao lado de outros membros do CFM contra o projeto de lei 5.875/2013 que está sendo considerado por eles o PL “Big Brother da saúde”. O projeto poderá viabilizar a criação de um amplo cadastro estatal contendo dados sensíveis da população, concentrando informações íntimas dos cidadãos em uma única estrutura. Eles argumentam que isso poderia ampliar o poder de seus operadores sem garantia dos devidos mecanismos de proteção de dados.
É justamente nesse contexto de preocupações com a privacidade e o tratamento de dados pessoais que a publicação envolvendo João Fonseca ganha relevância. Para além da exposição desnecessária do esportista brasileiro, o episódio suscita questionamentos sobre o uso político de informações de caráter privado e qual é a extensão dos dados pessoais aos quais o poder público tem acesso.
Nesse cenário, também chama atenção o fato de o Brasil ser o único país a manter a obrigatoriedade de “vacinação” infantil contra a covid-19 e a cada dia, novos efeitos adversos vêm à tona, especialmente relacionados às plataformas baseadas em RNA mensageiro. Tudo isso continua sendo ignorado pelo governo que prefere investir em informação e controle.
A Astrazeneca e Jansen, as versões da plataforma vetor viral aprovadas em território nacional foram retiradas silenciosamente após muitos países reconhecerem associação com trombose mais trombocitopenia que apesar de considerado raro, ensejou indenizações ao redor do mundo. No Brasil apenas a família de Thais Possati foi contemplada. Nem a Sra Arlene Graf que comprovou o nexo causal na secretaria estadual de Santa Catarina conseguiu receber uma justa indenização pela morte do filho Bruno, cerca de 10 dias após a injeção de Astrazeneca.
Mais uma vez, permanece o apelo para que o debate público possa ocorrer sem a intervenção de empregados públicos que deveriam servir, e não censurar seus patrões: os cidadãos. Espera-se também que famílias despedaçadas pelos efeitos adversos sejam, ao menos, acolhidas pelo poder público e que se encerre, de uma vez por todas, essa nefasta obrigatoriedade que além das lesões, impõe ônus financeiros e jurídicos às famílias que optam por não aderir às inoculações.